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terça-feira, 15 de maio de 2012
PAULO FREIRE: PRIMEIRAS IMPRESSÕES
O SENSO COMUM
Licenciatura em Educação Musical - Noturno
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Fichamento da aula de Educação Musical do dia 19/04/2012.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Fichamento da aula de Educação Musical do dia 29/03/2012.
Licenciatura em Educação Musical - Noturno
Docente: Profa. Enny Parejo
Aluno relator: Eric Brandão Gonçalves dos Santos
Desde o início do século XX, quando as escolas sofreram o impacto das ideias escolanovistas, influência direta das ideias de John Dewey, dentre outros, fala-se na escola da existência, cuja sistemática possui caráter psicológico, no qual as individualidades são levadas em conta, estabelecendo o indivíduo como o centro do processo educacional. É preciso, contudo, que atentemos à semântica: impacto nunca foi sinônimo de adesão. Quando nos referimos à resistência às novas ideias propostas, que afrontam e questionam a visão tradicionalista e conservatorial do ensino de música, não nos limitamos ao ambiente escolar, mas à própria mentalidade social, em cujo plano cristalizam-se conceitos que, qual pedra que repousa há milênios sob o martelar perseverante das águas oceânicas, resistem bravamente aos irresistíveis impulsos do progresso.
Tal resistência fica clara quando trazemos à baila os pontos relevantes e questionáveis de textos como ‘Diálogo interáreas: o papel da educação musical na atualidade’, de Marisa Trench de Oliveira Fonterrada, fonte de análise e discussão de nosso grupo no dia 29.03.2012. Após breve debate em grupos de quatro pessoas, fez-se a roda, e a exemplo desta, que não possui pontas, os comentários desenvolveram-se de maneira linear, tendo como centro as precárias condições da escola pública em nosso país – e não estamos a falar da falta de subsídios ou recursos físicos, mas da escassez das almas, de todas as pobrezas a mais difícil de sanar. Vivo há oito anos essa realidade e minha convivência diuturna com as misérias sociais obrigou-me, em certo momento da docência, desenvolver um estudo na tentativa de compreender a violência presente em alguns alunos, a apatia de outros, seu paupérrimo alcance cognitivo, tudo isso fundido a um desinteresse por representativa parte do corpo docente, servidores públicos de caráter rançoso, já conformados com uma política retrógrada, que sustenta e é sustentada por uma gama de insatisfeitos que só trabalha em favor de estatísticas, mascarando com números duvidosos o que há muito deixou de ser novidade.
Dentro desse processo há, por conseguinte, uma corrente que resiste bravamente a propostas como a de Fonterrada, que busca mostrar que o ensino da música é dialógico: interage, portanto, com muitas áreas do conhecimento, mormente a psicologia (como já vimos em Koellreutter), a medicina, a antropologia e a educação ambiental. Tal flexibilidade permite que a educação musical atenda a necessidades musicais diagnosticadas – quando a sociedade assim o permite, naturalmente.
O maior paradoxo que a discussão nos trouxe foi justamente no que tange a finalidade do ensino musical: é irônico saber que uma proposta educativa inovadora, que visa o desenvolvimento, a sensibilização e a respeitabilidade humana seja justamente tolhida pela própria sociedade, que não vê nessa disciplina a miríade de potencialidades que podem ser desenvolvidas para o bem do indivíduo enquanto ser integral e do sistema social como um todo. Em face disso, ainda nos deparamos com embates que já deveriam ter sido superados, como a animosidade entre a escola tradicional e a escola nova, ou a questão disciplina versus autoritarismo em sala de aula.
A discussão ainda promete prosseguir em aulas futuras. Guardaremos, portanto, outros comentários e aprofundamentos para fichamentos posteriores, já que o assunto está longe de se esgotar, e até porque nossas breves produções não têm intenção de ultrapassar as raias de um estudo ensaístico demasiado longo. Por ora.
Fichamento da aula de Educação Musical do dia 22/03/2012.
Licenciatura em Educação Musical - Noturno
Docente: Profa. Enny Parejo
Aluno relator: Eric Brandão Gonçalves dos Santos
Arrisco dizer que, após as primeiras experiências investigativas no tocante à conceituação de música e educação musical, apenas manter a argumentação dos próximos fichamentos num patamar meramente descritivo ou mesmo limitar a fundamentação das colocações aos clichês de nível superficial seria cair num comodismo inócuo, um conformismo contraproducente ou mesmo um abominável lugar-comum, a tal cama onde se deitam a maioria das pessoas que se acostumaram a remar a favor das águas correntes, obedecendo às leis do mínimo esforço, sem questionarem a si próprios os porquês das coisas serem como são, fazendo com que a educação esteja da maneira que está. Ora, a própria pluralidade dos termos música e educação musical não permite que sejamos sucintos, tampouco esgotemos um assunto nas poucas linhas deste webfólio. Acredito que mais proveitoso será nos apegarmos, portanto, a um ou dois pontos das diversas discussões levantadas, procurando daí extrair o melhor que se possa.
Um dos pontos que chamou minha atenção na aula do dia 22.03.2012 foi justamente a dinâmica do tamborilar, gesto que consiste em bater levemente os dedos sobre uma superfície em ordem aleatória produzindo um ruído muito próximo ao gotejar da chuva nos telhados. O som é agradável e sempre me causara sensações de leveza e relaxamento quando apreciado de olhos fechados. E foi justamente o que fizemos: cada componente da turma escolheu a superfície que mais lhe convinha e, ao comando de nossa orientadora, começaram a tamborilar. Posteriormente, foi proposto que a sala fizesse o mesmo de olhos fechados. Desta vez, contudo, o trabalho seria precedido de silêncio. A própria tensão gerada no ambiente silencioso diria aos participantes qual o melhor momento para o início do tamborilar. Na primeira tentativa, o início foi quase imediato: o silêncio mal permitira que entrássemos no clima do jogo e sentíssemos a ambientação. Dito isso, o grupo tentou novamente e, após maior instante de silêncio, o tamborilar se iniciou, tendo, inclusive, uma pausa intermediária, como uma verdadeira orquestra a executar sua peça – com prelúdio, tensão, ápice e relaxamento.
O que mais me surpreendeu foi a amplitude de alcance dessa experiência, de tão simples execução mecânica, mas que pode ser usada para que o aluno vivencie todos os aspectos da música: velocidade, timbre, prática de conjunto, etc. Maiores pesquisas nos foram solicitadas e, em tempo oportuno, trataremos um pouco mais dessa atividade.
O segundo ponto relevante que podemos destacar foi a discussão sobre o texto ‘O ensino da música num mundo modificado’, do mestre H. J. Koellreutter.
É impossível que o educador ou estudante mais inquieto permaneça indiferente a um texto de Koellreutter. O humanismo presente em sua escrita nos leva a pensar a educação de maneira muito mais abrangente do ponto de vista disciplinar, psicológico e social. Nesse artigo, o mestre discorre sobre o conceito de música funcional, ou seja, a música enquanto instrumento de inserção social – argumento muito válido se considerarmos que a escuta musical é sempre permeada pelo meio em que se está inserido. Logo, se o mundo está a sofrer transformações relevantes do ponto de vista tecnológico, científico e sociocultural, é natural que a escuta e difusão musical, bem como as formas de produção também se modifiquem.
Num mundo que atualmente conta com referências as mais diversas, fruto da altíssima demanda tecnológica, a dispersão é notoriamente uma das consequências da avalanche de informações que se recebe minuto a minuto. A música tem, neste particular, um papel fundamental: ela situa o homem no mundo, fortalece sua identidade e molda de forma mais harmoniosa a mente do indivíduo moderno, que transita entre o sentimento e a racionalidade, a tecnologia e a estética.
A consciência humana foi, aliás, um dos tópicos esmiuçados em aula. Num entrecruzar de argumentos, podemos apresentar como resultante das discussões a clara ciência de Koellreutter do ponto em que a humanidade se encontra. O ser humano transita em diferentes níveis de consciência, e essa condição é diretamente responsável pelas diferentes ações e reações das pessoas com as quais nos deparamos no dia-a-dia. A música seria, portanto, um instrumento interdisciplinar capaz de sensibilizar o homem, inserindo-o num contexto sociocultural e – o mais importante – dando um sentido à sua existência.
quarta-feira, 21 de março de 2012
Fichamento da aula de Educação Musical do dia 15/03/2012.
Docente: Profa. Enny Parejo
Aluno relator: Eric Brandão Gonçalves dos Santos
Num passado recente, música costumava ser, para mim, a combinação de sons e palavras. Minha própria vida sempre se confundia com ambos os elementos, feito sol e sombras. Diante das últimas aulas de educação musical, no entanto, tais conceitos ficaram bastante abalados.
O relaxamento de nossa última aula foi realizado ao som dos instrumentos inventados pelo compositor, luthier e artista plástico, Fernando Sardo. A autenticidade da música mexeu a fundo conosco, ao ponto de algumas alunas terem relatado, ao final da atividade, a vontade de chorar que sentiram, a transpiração excessiva, entre outras reações orgânicas. A escuta sensível ficou a cargo dos sons animais de Carlos Kater, extraídos de sua obra, ‘Era uma vez’. E tais sons, notoriamente música concreta, só fizeram aumentar meus questionamentos íntimos.
A discussão, aliás, prosseguiu com a busca pelas respostas a essas indagações. Foram citados músicos, educadores e pesquisadores que contribuíram efetivamente para o estudo e realização da música concreta, que já tem uma história de mais de 30 anos: Murray Schafer, Keith Swanwick e Pierre Schaeffer, de quem ouvimos um CD que continha sons de trens, conversas de pessoas, etc. Outros estudiosos de notória relevância foram citados como proposição de pesquisa: Hans Joachim Koellreutter, Marisa Fonterrada e Arnold Schoenberg, inventor do dodecafonismo. Gradativamente, suas contribuições serão citadas neste espaço.
Mesmo diante de tantas e tão grandiosas referências, penso ainda estar distante de uma resposta definitiva para o conceito musical. Mais do que isso: acredito que essa resposta não chegará nunca. Encontrar uma única assertiva para tão vasto universo seria tentar reduzir uma constelação de fontes a um denominador comum. Parece-me menos tolo cultivar a efervescência científica e musical para as quais nos aponta o futuro e sedimentar em meus pensamentos o que já era evidente, ainda que pouco embasado: o público pode se dar ao luxo de rejeitar um tipo de música; o músico, não.
terça-feira, 13 de março de 2012
Fichamento da aula de Educação Musical do dia 08/03/2012.
Docente: Profa. Enny Parejo
Aluno relator: Eric Brandão Gonçalves dos Santos
Uma vez mais, a aula foi iniciada com a dinâmica, na qual alunos e professora se dão as mãos. Em pé e com olhos fechados, o grupo escutou uma música tranquila, em verdade, uma sequência de sons da natureza: chuva, vento, animais, etc.. A seguir, já sentados, os alunos tornaram a fechar os olhos e, sempre atentos à respiração, foram, uma vez mais, convidados a uma escuta musical sensível. Dessa vez, a trilha foi a ‘Pastoral’, de Stravinsky. Após a audição, o grupo, já harmonizado e concentrado, iniciou os trabalhos propriamente ditos.
As primeiras discussões giraram em torno das definições de Música e Educação Musical, pesquisadas e trazidas pelos alunos. As fontes foram as mais diversas, desde as genéricas (dicionários, sites) até as específicas (livros). O grupo concluiu que, devido ao seu aspecto multidimensional, é impossível conceituar música de forma única e definitiva. Cada aspecto desta, social ou estético, histórico ou subjetivo, engloba sua própria definição.
In: FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio século XXI: o minidicionário da língua portuguesa. 5ª ed. rev. ampliada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
A música como construção social
Teorias pós-modernas concebem que a música, assim como a arte, é definida primeiramente por seu contexto social. De acordo com essa visão, a música é o que as pessoas chamam de música, seja um período de silêncio, algum tipo de som ou sua performance. O trabalho de John Cage, 4'33", é baseado nessa concepção de música.
_______. Definições de música. Disponível em
'Entendo que a música, em sua amplitude de aspectos, desenvolvidos ao longo da evolução sociocultural humana, não pode ser conceituada sob um único prisma. Trata-se, portanto, de uma organização sonora, reconhecidamente constituída de ritmo, melodia e harmonia – juntas ou separadamente –, capaz de suscitar no ouvinte sentimentos e reflexões que se diferenciam de acordo com a percepção individual, regida pelo histórico de vida e a realidade social em que se está inserido. É, ainda, um retrato estético de determinado período histórico, posto que cada época destaca uma gama de elementos musicais que registram pensamentos e anseios do homem daquele período.' (Eric Brandão G. dos Santos)
Conceituar Educação Musical foi ainda mais difícil, e, certamente, o grupo, que chegou a boas conclusões, não esgotou o assunto. Seguem as nossas contribuições para a definição do tema:
'Educação musical é o conjunto de práticas destinadas a transmitir, por meio de vivências musicais, aspectos teóricos e práticos da música desta e de outras épocas. O conhecimento teórico associado às práticas musicais constitui não só um veículo de intercâmbio artístico (interação entre as partes docentes e discentes), mas também social e de cultura como um todo.' (Eric Brandão G. dos Santos)
‘É consenso geral de que a educação musical é o conjunto de práticas educacionais que transmitem o conhecimento prático e teórico do fazer musical. Essa prática é utilizada desde os primórdios do conhecimento humano, já na Grécia havia busca pelo valor da música e sua educação.’
Carbonari, Thiago. Educação musical: ideias e definições. In: FONTERRADA, Marisa Trench de Oliveira. De Tramas e fios: um ensaio sobre música e educação. 2ª Ed. São Paulo: Editora UNESP, 2008; BRITO, Teca Alencar de. Koellreutter educador: o humano como objetivo da educação musical. São Paulo: Peirópolis. 2001; GAINZA, Violeta Hemsy de. Estudos de Psicopedagogia Musical. São Paulo: Editora Summus. Disponível em
‘Educação musical é o conjunto de práticas destinadas a transmitir através da vivência musical a teoria e prática da música nas correntes gerações.’
_______. Educação musical. Disponível em
Após breve discussão, foi proposto pela professora que se formassem grupos de 4 pessoas, que se reuniriam para resolver a seguinte situação: se nos encontrássemos com um E.T., como lhe explicaríamos o termo Educação Musical?